sexta-feira, 20 de julho de 2012

Teatro da Universidade de São Paulo – TUSP


O que é o Núcleo de Teatro do Tusp?

O Teatro da USP é um órgão ligado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. Atua como pólo gerador de debates, criando espaços para o surgimento de novas idéias e a reflexão sobre as questões do fazer teatral no Brasil. O órgão tem por objetivo difundir e divulgar as artes cênicas, nas suas mais diferentes manifestações e formas de expressão, estimular a criação e o desenvolvimento de grupos teatrais universitários em todos os campi da USP e propiciar, através do teatro, a integração entre a comunidade interna e externa da universidade. Realiza, com projetos próprios e em parceria com as unidades afins, encontros, palestras, seminários, mostras, festivais e circuitos universitários. Sediado no histórico prédio da Rua Maria Antonia, no centro da cidade, desde 1996, o TUSP recebe neste espaço uma rica programação teatral, definida por meio de editais de ocupação e uma programação especial, através de mostras organizadas com o objetivo de dar visibilidade à pesquisa e a produção teatral realizadas pelas Universidades públicas. O TUSP atualmente conta com a expansão da sua equipe para os campi da USP localizados no interior do Estado de São Paulo, nas cidades de Piracicaba, Pirassununga, São Carlos, Ribeirão Preto, Lorena e Bauru. Essa atuação expandida tem como objetivo principal potencializar as ações culturais já promovidas pelo TUSP e provocar novos espaços de diálogo entre diferentes linguagens artísticas e a produção cultural dos campi do interior de São Paulo. Na cidade de São Carlos a nossa equipe é: Claudia Alves - orientadora de arte dramática do Tusp ( formada em Artes Cênicas pela ECA-USP e com mestrado em Pedagogia do Teatro também pela ECA-USP) 

Dia 28.06.2012 tive o prazer de participar desse núcleo e trazer para vocês o ultimo encontro semestral da equipe com o tema:

“E se hoje fosse o fim do Mundo ?”


Lucas Alexandre Pires estudante da Ufscar em Antropologia e um dos integrantes do núcleo tusp São Carlos, trouxe seu capacete e disse que durante sua existência foi um dos objetos que o acompanhou e lhe deu segurança. 



Lucas levantou-se com alguns papeis em mãos e lá estava... Um poema de Charles Baudelaire – Embriague-se.

“É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. 

Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se. 

E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: “É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser”. 

Como se não bastasse acendeu seu cigarro e continuou... 

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de tua última quimera. 
Somente a Ingratidão - esta pantera - 
Foi tua companheira inseparável! 
Acostuma-te à lama que te espera! 
O Homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija! "

Versos Íntimos - Augusto dos Anjos


Thalles Vichiato Breda estudante da Ufscar em Ciências Sociais e integrante do núcleo Tusp São Carlos.

Adiamento 

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não... 
Não, hoje nada; hoje não posso. 
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva, 
O sono da minha vida real, intercalado, 
O cansaço antecipado e infinito, 
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico... 
Esta espécie de alma... 
Só depois de amanhã... 
Hoje quero preparar-me, 
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte... 
Ele é que é decisivo. 
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos... 
Amanhã é o dia dos planos. 
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo; 
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã... 
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro... 

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo. 
Só depois de amanhã... 
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana. 
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância... 
Depois de amanhã serei outro, 
A minha vida triunfar-se-á, 
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático 
Serão convocadas por um edital... 
Mas por um edital de amanhã... 
Hoje quero dormir, redigirei amanhã... 
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância? 
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã, 
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo... 
Antes, não... 
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser. 
Só depois de amanhã... 
Tenho sono como o frio de um cão vadio. 
Tenho muito sono. 
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã... 
Sim, talvez só depois de amanhã... 

O porvir...
Sim, o porvir... 

Fernando Pessoa  - Álvaro de Campos


Mariene Giunta  formada em arquitetura na UNESP de Bauru em 2009 e atual estudante de pós-graduação na Ufscar -Engenharia Urbana. Encenou um texto de Fernando Penteado, o qual trata-se de uma psicopatologia. 


Só nós estamos aqui.
São 23h00 e me deu sono.
Mas eu precisava dizer que são 23h, porque são.
Meu relógio diz que são 23h e eu acredito nele.
Segundo o horário de Brasília, são 23h, no horário de verão.
Horas, horas, horas.
Queria um mundo sem relógios.
Sem relógios, sem relógios, sem relógios.
Impontual, impreciso, inesperado...
Sem horas, sem horas, sem horas.
Sem espera. Espera... Espera... 
Ainda bem que o que vem sempre é o inesperado. 
Não é. 
Oras. Que horas são? 
Porque repetir, repetir e repetir?
Já são vin-te-três-ho-ras.
E o esperado é que o menino vá dormir. 
Vai dormir, vai... 
Vai dormir, menino. 
Vou, porque já são 23h. Leia bem, vin-te-três.
e três, e três, e três, e três, e três.
É a hora do trem das onze. que passa e faz tchetchec, tchetchec, tchetchec, tchetchec. E o menino, vejam bem, menino, desce. E vai para casa. Porque é tarde, já, tarde, e, coitado, tem, é, tem que.
Vai logo.
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai.
Não sei porque tanto esforço em se fazer / me fazer / fazê-lo / fazer ir. 
Acho que foi, fui. Estava com sono. E eu não resisto muito ao sono, sabe-como-é. 
Isso podia se chamar escalafobético. É, um ótimo nome... Acho que vou estampar em vermelho e verde isso em todas as minhas camisetas e camisas. A minha cara.
Hum, tenho amigos com quem outros termos combinariam melhor.
tem um que seria, Espertalhão. assim, sem artigo nem mais nada, porque ele não precisa. ele é muito bom no que faz.
Ainda bem que, tirando um certo f, a gente não dá nome pros amigos. se desse metade deles não seriam mais, hoje. 
Isso se chama psicopatologia. E grave. 
Por isso que o menino tem que dormir. 
O Menino
Tem
Que
Ir
Dormir
E
Dormir.
E acordar daqui uns anos
Olhar pra trás
E pensar
Como foi bom
Poder dormir
e deixar passar
o sofrimento
da juventude
daqueles anos
que graças a Deus
(e ele acredita)
não voltam mais
a não ser em sonhos
que o atormentam
todas as manhãs
tardes
e
noites.
Então o Pierrot se deita no canto do palco, e inicia-se o primeiro Ato. 


Fernando Penteado . 23:00





Lucy Oliveira formada na Universidade Federal de Alagoas, trouxe a música de Paulinho Moska – O ULTIMO DIA e criou um varal pendurado com vários textos e pedaços de músicas; Ao som da música de Paulinho cada um dos participantes retirou trechos que em voz alta representasse o seu ultimo dia.






 







Claudia Alves Fabiano, mestre em Artes Cênicas na Universidade Estadual de São Paulo (USP) e Orientadora do núcleo Tusp – São Carlos.

Claudia nós contou sobre sua história e apresentou a música de Chico Buarque de Orlando – Roda Viva e Jair Rodrigues – Disparada; como marca de sua trajetória.

                                                  




Daniella Góes R. Prosdócimi leu um poema de Charles Bukowski ao som de Lulu Santos - tempos moderno.


O CORAÇÃO QUE RI 

A tua vida é a tua vida 
Não a deixes ser dividida em submissão fria. 
Está atento. 
Há outros caminhos, 
Há uma luz algures. 
Pode não ser muita luz mas 
vence a escuridão. 
Está atento. 
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses. 
Conhece-las. 
Agarra-las. 
Não podes vencer a morte mas 
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo, 
mais luz haverá. 
A tua vida é a tua vida. 
Memoriza-o enquanto a tens. 
És magnífico. 
Os deuses esperam por se deliciarem 
em ti.



O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria...



O TUSP TEM O PRAZER DE CONVIDÁ-LO PARA INGRESSAR NO  
"NÚCLEO TUSP DE  TEATRO"


Para maiores informações acesse o blog:

Facebook: Tusp de Sanca









2 Comments:

"Benéia" said...

Venha nos visitar sempre!!! :)

Thais Secco said...

Com certeza eu irei, nunca me senti tão bem... :D

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